Gamaliel


Gamaliel, que foi o mestre de Saulo (Paulo de Tarso), era o homem mais notável do partido farisaico. Era afável e contemporizador e não desprezava ninguém. Não condenava os crentes que falava o grego; não voltava o rosto quando cruzava com mulheres pagãs, e até condescendia em retribuir a saudação de qualquer estrangeiro, o que eram sinais de enorme generosidade para os judeus da época.
Sua ortodoxia era inatacável. Tanto assim que, antes dele, os doutores da lei eram chamados rabi, isto é, mestre, ou ainda rabbi, meu mestre. Gamaliel teve a honra de ser identificado como rabban, nosso mestre.
Quando os apóstolos Pedro e João foram presos por ordem de Saulo, uma única voz se ergueu a favor deles - a de Gamaliel - e, graças a ele, ambos foram postos em liberdade.
Gamaliel foi tocado pela doutrina do Caminho recebendo de Simão Pedro anotações de Mateus. Já com idade avançada, desejando deixar suas atividades no senado judaico, o sinédrio, fez de Saulo seu herdeiro, desejando que o sucedesse nas importantes funções que ali desempenhava. Terminou seus dias em Palmira, na casa de seu irmão Ezequias, um próspero comerciante de tecidos, aceitando Jesus como o Messias, o Cristo.
As primeiras anotações sobre Jesus que Saulo recebeu, foram presenteadas pelo seu antigo mestre Gamaliel. Foram as mesmas anotações que Gamaliel havia recebido de Simão Pedro. Gamaliel teve a intuição de que tais documentos poderiam servir para que Paulo (Saulo já convertido) fosse aceito com confiança pelo próprio Pedro quando este foi procura-lo na Casa do Caminho.

Trechos extraídos do livro "Paulo - um homem em Cristo" de Rui Kremer

 

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